Pesquisadores dinamarqueses encontram livros envenenados em biblioteca

Recentemente, um grupo de pesquisadores encontrou três livros não catalogados na biblioteca da Universidade do Sul da Dinamarca. Até aí tudo bem, não fosse por um fato totalmente inusitado: os volumes, datados dos séculos 16 e 17, estavam cobertos de veneno. E aí surgem as dúvidas. Por que alguém envenenaria um livro?

Segundo Jakob Holck, o bibliotecário que descobriu que os livros eram venenosos, o fato se deu por acaso, enquanto ele estudava os textos. Estava tendo dificuldade em analisar a escrita porque as palavras estavam cobertas por uma pintura verde. Uma série de testes foram realizados e os cientistas acabaram descobrindo que o pigmento verde era feito de arsênico, uma das substâncias mais tóxicas que existem, que pode causar desde irritação estomacal e intestinal até câncer e morte. E o mais alarmante é que o poder de envenenamento do arsênico não diminui com o passar dos anos.

E aí surgiram as dúvidas: porque alguém envenenou os livros? Que segredos eles guardam? Bem, o fato mais importante é que essa descoberta nos faz pensar.

Será que há mais livros envenenados por aí? Pense comigo: o Brasil é um dos países com o menor número de leitores no Planeta. A pesquisa Retratos da Leitura, publicada pelo Ibope em 2016, constatou que 44% da população brasileira não tem o hábito da leitura. Pior do que isso é o fato de que 30% desta mesma população nunca sequer comprou um livro. Por consequência, somos vistos como um povo ingênuo, fútil e facilmente manipulável.

A sensação que fica é a de que todos os livros publicados no Brasil estão envenenados. Só isso justificaria esse medo dos brasileiros de ler.

Se essa história da biblioteca da Dinamarca estivesse escrita em um livro, provavelmente veríamos uma conspiração secular escondida através dos séculos, como no romance O Código Da Vinci. Mas, como a vida real é um pouco menos interessante, a explicação para o livros dinamarqueses envenenados é menos glamurosa.

O mais provável é que alguém tenha pintado os pergaminhos com o pigmento verde sem sequer saber que ele continha arsênico, já que a toxicidade deste elemento químico só foi descoberta na segunda metade do século 19.

Agora, o que ninguém é capaz de explicar é o medo dos Brasileiros em chegar perto dos livros. Esse enigma, nem mesmo o próprio Da Vinci seria capaz de solucionar.

matheusprado.maori@gmail.com | Web |  + posts

Matheus Prado é professor, escritor, cineasta e crítico de cinema. Atualmente cursa um mestrado e Letras, com foco em Literatura. Acredita que a vida é um mar profundo e que devemos nos aventurar além da superfície. Escreveu e dirigiu dois longas-metragens e vários curtas.

Referências Bibliográficas

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