Será que alguém vai roubar minha ideia? Eu preciso ter medo disso? O que fazer?

Quando comecei a escrever, logo senti vontade de mostrar para o mundo as obras de arte que estava produzindo. E, ao mesmo tempo em que essa vontade surgiu, também me veio o medo primordial dos artistas: e se alguém copiar a minha ideia? E se outro escritor frustrado e inescrupuloso roubar meu livro e o publicar como se fosse dele.

Com o passar do tempo, descobri que eu não era o único a sentir esse medo. Na verdade, a grande parte dos escritores novatos acredita que suas ideias são tão fantásticas que eles sequer devem pronunciá-las em voz alta. Alguns tem até medo de escrever e esperam o momento exato para começar, como se isso existisse.

Sobre isso, só posso dizer uma coisa, embora soe um pouco rude: caia na real!

Em 2018, gravei um vídeo para o meu canal no YouTube chamado “Não fique obcecado pela sua ideia”. Você pode assisti-lo abaixo, mas já adianto que o conteúdo deste artigo é um complemento do vídeo. Um não substitui o outro, embora tenham a mesma finalidade: deixar claro para você que a sua ideia não vale nada!

Antes de me xingar, assista o vídeo e leia o artigo. Depois, se ainda quiser me mandar para o inferno, pode fazer isso pelo Telegram, ou me mandando um e-mail.

Em primeiro lugar, tenha uma coisa em mente: A IDEIA NÃO É SUA!

Por mais genial que você seja, ideias não são propriedade de ninguém. Você não pode ir até um escritório de patentes e registrar um ideia. Isso porque ela não é absolutamente nada além de uma ideia. Ideias não tem utilidade nenhuma para o mundo. Não servem para nada. Ela só passarão a ter algum valor quando forem colocadas em prática.

A ideia de um poço no meio do deserto não mata a sede de ninguém. É a água do poço já construído que mata. E é por isso que pessoas pouco criativas, mas com muita disposição para arregaçar as mangas e trabalhar consumam ser mais felizes do que pessoas que pensam muito mas nunca agem.

É possível roubar uma ideia?

Essa pergunta tem duas respostas: SIM e NÃO.

Qualquer um pode roubar a sua ideia, mas jamais será capaz de desenvolve-la da mesma forma que você. A ideia em si é apenas o ponto de partida para algo muito maior e muito mais profundo. E a mesma ideia, abordada por dois escritores, pode gerar histórias completamente diferentes e únicas. Não acredita? Então confira esse exemplo:

Ideia: Uma mãe, chamada Sarah, tenta proteger o seu seu filho de um homem que veio do futuro e que quer matá-lo.

Que filme é esse? Aposto que você chutou “O Exterminador do Futuro”. Mas não é. Na verdade, essa é a ideia de “Looper: Assassinos do Futuro”.

Um dos filmes é uma cópia do outro? De forma alguma, porque os dois são absolutamente diferentes e tratam de coisas diferentes. Mas a ideia base parece ser a mesma, não é?

Quer mais um exemplo? Vamos lá:

Ideia: Um pai solteiro, superprotetor, se envolve em várias situações perigosas em busca de um filho que foi sequestrado.

Que filme é esse? Pode ser “Busca Implacável”, mas também pode ser ”Procurando Nemo”. Fora essa ideia base, você consegue ver alguma semelhança nas duas histórias? Também acho que não.

O fato principal é que a originalidade não está na sua ideia, mas na forma como você decide executar esta ideia. Essa execução específica será única e será capaz de diferenciar a sua história das outras milhares que seguiram a mesma premissa.

É por isso que sempre digo que uma ideia não pode ser roubada. Mas… E se alguém roubar o meu livro?

Livros são assuntos mais complexos. Alguém realmente pode roubar o seu livro e dizer que foi ele quem escreveu. Tanto por completo quanto uma parte, um trecho ou um capítulo. Isso é raro, mas pode acontecer.

Para evitar problemas, registre sua obra, quando ela estiver finalizada. Simples assim. Não tem segredos nem mistérios. Registre e será seu.

Mas você jamais será capaz de impedir que outras pessoas desenvolvam histórias baseadas na mesma premissa que a sua.

A mesma coisa, só que diferente

Um conceito muito comum na ficção de gênero é a ideia de: a mesma coisa, só que diferente. O que isso quer dizer? Aquilo que eu já disse no tópico anterior. Você pode partir de um conceito batido e repetitivo para criar um história única e totalmente original.

Isso ocorre porque, dentro de cada gênero, a base da histórias são quase sempre as mesmas, mas com execuções diferentes.

Em um romance, o que vemos quase sempre é:

Duas pessoas se encontram, se apaixonam, sofrem vários contratempos e complicações, se separam até que, finalmente, aceitam que se amam e ficam juntas.

Essa mesma ideia é repetida a exaustão por milhares e milhares de escritores e isso não é ruim. Não gera histórias previsíveis. Mesmo que saibamos a estrutura básica, é a forma como cada autor executa uma ideia que faz com que ela seja única. Parta desse pressuposto quando for escrever suas histórias.

Conclusão

Pare de se preocupar com roubos ou cópias. Todos os autores iniciantes imitam outros autores em algum momento da vida. Isso é até mesmo necessário para o desenvolvimento do estilo e para o crescimento.

E não se deixe paralisar pela possibilidade de ter a sua ideia roubada.

Nesse exato momento, em vários lugares do mundo, há centenas escritoras e escritores empolgados com a mesma ideia que você. E todos devem estar achando que são especiais e que tem uma ideia única. Mas não tem. O que cada um fará com essa ideia é o que vai diferenciá-lo dos demais.

Espero profundamente que seja você, que me lê agora.

matheusprado.maori@gmail.com | Web |  + posts

Matheus Prado é professor, escritor, cineasta e crítico de cinema. Atualmente cursa um mestrado e Letras, com foco em Literatura. Acredita que a vida é um mar profundo e que devemos nos aventurar além da superfície. Escreveu e dirigiu dois longas-metragens e vários curtas.

Referências Bibliográficas

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