Afinal de contas, o que um escritor tem de especial?

Desde que eu decidi seguir por esse caminho, sempre me perguntei: o que é ser um escritor? Como posso diferenciar um escritor de um escrivão de polícia, por exemplo? Ou de um jornalista? A primeira vista, a pergunta pode soar idiota, mas ela me corroía mesmo assim. E, depois que comecei a trabalhar com jornalismo, ela se tornou ainda mais intensa.

O que é um escritor? O que o escritor tem de especial? Para muita gente, a resposta pode ser um categórico “nada”. Mas eu sei que há algo. As pessoas que foram tocadas pelas obras de Conan Doyle, JK Rownling, Tolkien, Dan Brown, George Martin, Asimov e Allan Poe, entre muitos outros, também sabem.

E demorou muito tempo até que eu chegasse em uma resposta. É claro que você pode discordar, mas ela já aponta um caminho: escritores são adultos que não cresceram. Ou melhor: escritores são adultos que pensam como crianças.

Você se lembra de quando era criança e achava que seu professor era um alienígena ou um monstro? Isso sempre acontecia comigo. Para um escritor, esse tipo de pensamento é combustível para novas história. Aquele cara estranho que você sempre encontra na fila do supermercado, que está sempre olhando para o relógio, pode ser um terrorista internacional. Aquele cara novo que começou a trabalhar na sua sala pode ser um espião do governo, contratado para observar os seus passos. 

Escritores são como são porque conseguem ver coisas fantásticas onde ninguém mais vê. Ou melhor: como só as crianças veem. A maioria de nós perde esse dom de imaginar quando crescemos. Mas os escritores continuam imaginando. Continuam enxergando o fantástico onde a maioria das pessoas só vê o corriqueiro.

Vemos garras de monstros onde os outros veem galhos de árvores. Vemos naves espaciais quando olhamos para o céu e guerreiros quando olhamos para bosques e parques. Quando não vemos um amigo por um longo período, imaginamos que ele foi abduzido por aliens

Não somos malucos nem conspiradores, porque sabemos que isso não é real. Pelo menos, não até que coloquemos essas histórias no papel. É o alimento para nossos histórias e é isso que nos faz ser quem nós somos.

E isso também confirma a frase genial do Saramago: “somos todos escritores, só que alguns escrevem e outros não”.

matheusprado.maori@gmail.com | Web |  + posts

Matheus Prado é professor, escritor, cineasta e crítico de cinema. Atualmente cursa um mestrado e Letras, com foco em Literatura. Acredita que a vida é um mar profundo e que devemos nos aventurar além da superfície. Escreveu e dirigiu dois longas-metragens e vários curtas.

Referências Bibliográficas

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